
Era mais um dia que estava acabando...era de tarde, e eu estava perdida nos meus pensamentos dentro do onibus, que a mais de vinte minutos nao saía do lugar.
Pela janela observava a correria da vida...gente sem paciencia que businava insistentemente, achando que isso ia resolver o problema...gente que andava quase correndo pelas calçadas...gente de cara feia, esbravejando...altentico reflexo de cidade grande.
Mas em meio ao caos, meus olhos parou o tempo, quando vi uma criança tão pequena ainda, fazendo parte daquele teatro de loucos.
Estava tão maltrapilha, com os pés descalços...carregava uma cesta até grande para o seu pouco tamanho; a cesta era de flores. E passava entre os carros parados no sinal vermelho do semáforo, com a cesta nas maos e nas pontas dos pés. Imaginei que nem falar direito esta criança não sabia.
Então ela passou pelo onibus e, de repente olhou pra mim. Senti meu coração se desfazer em mil pedaços. Olhei aqueles olhos inocentes e alheios a tudo em sua volta. Olhei pra aquele espelho d'alma tão doce e sincero...que me perguntava: por que o mundo é tão injusto comigo? será a minha escola a propria vida? qual será a minha sorte?
Fiquei algum tempo olhando aquele ser tao indefeso, desprotegido naquela selva de pedras...e de vez enquando ela me olhava, meio receosa. Tal foi minha surpresa quando o onibus estava para partir, ao ver aquela criança com sua amarga historia no olhar acenando para mim. Era como um agradecimento por alguem te-la notado nesse mundo, dado um minuto de atençao, ou agradescendo por enxergar a sua historia.
O onibus se foi...e a minha vontade era levar aquela criança pra casa e dar-lhe amor e muito carinho, mas o que pude levar dela, eu levei...sua lembrança.
Ao chegar em casa agradeci a Deus por ter me dado tantas riquezas. Pais maravilhosos, um lar de paz, um esposo amoroso e muito amor na minha vida.
Acho que a maior riqueza do ser humano é a sua familia. Porque ela é a base de toda a vida. O que se sabe de uma pessoa é baseado na familia em que se tem. Onde estao seus melhores amigos, da onde vem seus melhores conselhos...familia é dadiva de Deus.
Algum tempo ja se passou depois de ver aqueles olhinhos inoscentes, e ainda lembro do que eles me contaram...Não sei como vai a vida daquela criança, mas peço a Deus que abençoe a sorte dela e de todas as outras desse país desigual, que nascem debaixo da mesma sorte.
Essa foi a historia que um olhar me contou.
Texto de Nani Pontel
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